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do Município de Campinas - SP

Diagnóstico Ambiental de Campinas - Fauna

A região de Campinas ocupa uma situação ecológica intermediária entre a porção leste do Estado, coberta pela mata tropical atlântica, e as áreas mais continentais, onde encontram-se os cerrados e florestas tropicais atlânticas semi-caducifólias ou de planalto. A fauna de vertebrados selvagens original da região também apresenta espécies nesses dois tipos de situações ecológicas. Os tangarás (Chiroxiphia caudata), os macacos bugios e sauás são típicos da mata atlântica, enquanto pode-se encontrar igualmente o tucano toco, característico dos cerrados, ou a seriema, também apta a áreas de vegetação aberta.

Os vários séculos de ocupação humana, a expansão da fronteira agrícola e a caça promoveram profundas mudanças na constituição dos povoamentos de vertebrados selvagens da região campineira. Primeiramente, erradicando grande parte dos ambientes naturais disponíveis para a fauna e levando ao desaparecimento de várias espécies, sobretudo carnívoros ou espécies de valor cinegético. Depois, oferecendo ambientes mais abertos de campos com a implantação de pastagens e culturas anuais e perenes, favorecendo, assim, a implantação de espécies de cerrados e campos abertos, de alimentação granívora ou com aptidão mais antropófila.

Mesmo assim, a região de Campinas apresenta centenas de espécies de vertebrados selvagens residentes ou migratórios, vários carnívoros como a lontra, gatos selvagens, furões, cachorros do mato, e animais típicos de floresta como o corujão murucututu, apesar dos remanescentes florestais do município não representarem mais de 3% da cobertura atual das terras. O conjunto dos inventários da fauna campineira desenvolvido pela UNICAMP e EMBRAPA já identificou 342 espécies de vertebrados selvagens pertencentes a 86 famílias (43 anfíbios, 227 aves, 52 mamíferos e 20 répteis).

A partir dos estudos desenvolvidos durante quase 15 anos sobre a região de Campinas, a equipe da EMBRAPA Monitoramento por Satélite evidenciou três grandes situações em que se enquadram os problemas e soluções enfrentados pela fauna de vertebrados selvagens do município.

Primeiro, questões relativas ao ambiente urbano, onde as espécies encontradas são antropófilas e, em princípio, estão bem adaptadas à convivência com o homem, não apresentam nenhuma característica de nocividade para os humanos e não requerem nenhum tipo de manejo. Por exemplo, as aves, além de desempenharem um papel estético, têm um peso significativo no controle de insetos. Por outro lado, existem espécies nocivas para o homem e podem servir de vetores de uma série de doenças e precisam ser controladas e monitoradas. Assim, os mosquitos, como o Aedes, os ratos, camundongos, algumas espécies de morcegos e capivaras, juntamente com os animais domésticos, podem servir de vetores de endemias, como a febre amarela, dengue, leptospirose, raiva, febre maculosa etc.

Segundo, o meio rural apresenta um caso distinto, pois abriga maior diversidade de situações oferecidas à fauna de vertebrados e possui maior riqueza em espécies. É também na área rural que se encontram espécies consideradas em vias de extinção e de maior importância biológica, como o sagui de tufo preto (Callithrix aurita), a lontra (Lutra longicaudis), ou o bugio (Alouatta fusca). Nesse tipo de situação há maior necessidade de monitoramento e manutenção da biodiversidade e conservação dos ambientes faunísticos particularmente ricos.

Em terceiro, uma das maiores preocupações está voltada para as áreas classificadas como naturais, onde as características ambientais ainda são bastante próximas das originais (remanescentes florestais, várzeas, matas ciliares etc) e, portanto, de maior importância para a manutenção da biodiversidade regional e local. Nessas situações existe um elenco de espécies restrita à condições "mais naturais". Uma das maiores ameaças sobre esses ambientes, e que já está e deverá ser objeto de monitoramento sistemático, é o controle de incêndios em matas remanescentes do município.

A combinação dessas três abordagens promoverá a manutenção da biodiversidade, que hoje é considerado um dos critérios de avaliação de boa qualidade de vida no âmbito municipal.



 

 

 

Responsável: José Roberto Miranda

Atualizado em 22/04/2003

 

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